O LADRAR DO MERDOCK

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(em cima)


Não se assustem com o ladrar do Merdock.
Ele só embirra com polícias, guardas fiscais,
guardas republicanos e outras fardas!...



sábado, 15 de outubro de 2011

PERSONAGEM de FARO

Quem reconhece esta personagem de Faro, grande fã do cão Merdock?

sábado, 8 de outubro de 2011

CINQUENTENÁRIO DO MERDOCK

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A placa comemorativa dos 50 anos do Merdock foi descerrada no interior do Liceu, na cantina, durante um almoço de confraternização de alunos da década. No mesmo local, perante uma sala repleta, apresentei a 2ª edição do meu livro "Merdock, um cão em Faro, nos anos 50".

domingo, 2 de outubro de 2011

NOVA FOTOGRAFIA DO MERDOCK

Quem os conhece?

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Os Contínuos do Liceu, anos 50

Quem sabe os seus nomes?

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

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A saga do Merdock foi um repositório de cenas variadas, muitas delas inesquecíveis.
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Como é sabido, e hoje mais do que naqueles tempos, até um cão é obrigado a cumprir certas obrigações para com a lei (e ombrear com as custas ... ).
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Para libertar o Merdock era necessário pagar uma multa, obter uma licença para usar coleira, ter a respectiva chapa de identificação (uma espécie de cartão de identidade) e ser vacinado.
Relato apenas esta última circunstância (sem grandes preocupações de estilo).
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Foi em frente do antigo Matadouro, hoje Biblioteca Municipal, que o veterinário ministrou as vacinas ao cachorro.
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Num ápice, o homem viu-se rodeado por mais duma centena de liceais mais ou menos esgrouviados, mas ébrios de plenitude, ante a aproximação do momento tão desejado, muitos deles vestindo capa e batina.
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Fizeram espaço para uma roda e acotovelavam-se para assistir ao acto que permitiria o acesso à plena cidadania e liberdade do nosso herói. No fim desse acto quase litúrgico, um dos responsáveis pela manifestação, perguntou quanto era.
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Aí, o veterinário, a voz embargada ao olhar aquela pequena multidão frenética de briosos estudantes, disse que não era nada.
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Que também já fora jovem... usara capa e batina... estudara em Coimbra...
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De imediato soou um arrebatado éférrriá a vitoriar o veterinário e a sua afectuosa e desinteressada colaboração.
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E então não é que o homem chorou, lavado em lágrimas... como uma madalena!...
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E como haveria eu de ignorar a frágil representação da inocência,
o puro êxtase dos ritmos da paixão?

sábado, 13 de agosto de 2011

CARTÃO DE IDENTIDADE

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Pela módica quantia de 2 escudos, o Merdock adquiriu a chapa de matrícula, para para ser colocada na coleira e poder circular, no país. Menos que um maço de tabaco que, creio, custava 29 tostões!

sexta-feira, 29 de julho de 2011


Doutor Joaquim Magalhães – récitas do 6ºano
Na década 50, vivíamos um regime sisudo e intolerante que pretendia encaminhar-nos para a OBEDIÊNCIA absoluta e nos obrigava a travar todos os sentimentos de AMOR e atracção sexual.
Para os nossos superiores, professores, pais e até padres, a FELICIDADE não existia, exerciam a autoridade como segredo do poder, numa verdadeira atitude repressiva.
Todos eles eram “donos” do saber e da razão, em todas as circunstâncias, exigindo de nós, submissão. Se não se aceitasse o caminho indicado por eles, seríamos excluídos da sociedade.
Na escola apontavam-nos, como exemplo a seguir, as façanhas de heróis que morreram na defesa da Pátria. As aulas de História ou de Organização Política não focavam o essencial, não eram esclarecedoras e muitos de nós vivíamos no analfabetismo político, julgando-nos os “melhores do mundo” (ensinavam-nos isso) …
O Dr. Joaquim da Rocha Peixoto Magalhães, um algarvio de adopção, professor de Português e Francês, era totalmente compreensivo, sabedor e respeitador da dignidade dos alunos. Não usava violência física nem moral para manter a ordem.
Como pessoa, todo ele era coração, nunca deixando escapar durante as aulas, uma boa poesia, ensaiando-a, permitindo que alunos mais vocacionados a representassem para deleite de todos.
Procurava todas as oportunidades para ler poesia francesa, iluminando o nosso espírito apático, inculto, pouco esclarecido nesse âmbito.
Dedicou, de corpo e alma, todo o seu tempo ao teatro e era com a sua orientação, que cada 6º ano, anualmente, realizava a Récita dos Sextanistas.
Buscava, incansavelmente, novos talentos e pelos Jogos Florais promovidos na altura, pelo Liceu de Faro, impressionou-se com a poesia de António Aleixo “dando-lhe a mão” e compilando toda a sua obra.
Em 1959/60 eu e o Dinarte, namorados, vivemos no Liceu acontecimentos marcantes, eu com o sector feminino e ele com o masculino. Poderei relatar, com precisão, o decorrer da festa do 6º ano, realizada a 28 de Maio de 1960 em cujo programa consta uma nota crítica, interessantíssima, que demonstra já, uma abertura política da parte dos alunos.
- “Este programa não tem ideais políticos”.
Sem a orientação e apoio do incansável professor de Português, a “malta” nunca teria tido a possibilidade de realizar, as festas anuais, que marcavam profundamente o fim da vida liceal e a passagem à prematuridade.
Nesse ano o programa versou “Médico à força” de Molliére, quadros cómicos com sátiras mais ou menos veladas, variedades, com toques de viola e guitarra de José Maria Oliveira e Eduardo Arcanjo e vozes poderosas de Joaquim Rogério e Tabeta.
O desempenho dos actores arrancarou risos a antigos alunos, na assistência, e lágrimas de emoção ao saudoso Dr. Emílio Campos Coroa.
Quase todos os alunos desse 6º ano desempenharam determinado papel, pois era a sua festa. Ao Dinarte, além de outros, coube-lhe a portaria, com a recomendação imperiosa:
- Não entra ninguém sem comprar bilhete (5 paus).
Consciente da responsabilidade, propõe-se respeitar na íntegra as ordens recebidas, barrando a passagem a um indivíduo de chapéu, baixinho, muito discreto e respeitoso, que pretendia o acesso sem prova de pagamento.
Gera-se impasse… entra não entra… quando surge, correndo, um contínuo a quem chamavam “Rabinete” por dançar num rancho folclórico, que esclarece, afogueado:
- É o senhor Governador Civil.
Desculpas apresentadas ficou o cómico da situação…
Após o encerramento do espectáculo a rapaziada, como hábito, preparou-se para uma directa, muitos deles a primeira da vida.
Embrulhados nas capas negras, vozes afinadas, instrumentos musicais preparados, descem a avenida, para as clássicas serenatas às moças mais pretendidas. Iam entrando em tascas, ainda abertas àquela hora, para um apuramento mais requintado da voz, bebendo uns bons copitos…
A algazarra vai subindo o tom, atrai a atenção de um agente da autoridade, dos excessivamente zelosos no desempenho das suas funções, que lhes barra o caminho e se propõe dispersá-los.
Protestos, explicações, pedidos, nada demoveu o cumpridor agente que lhes ordena que o sigam até ao comando. Ordeiramente, uns atrás dos outros (mais de 100) e todos atrás do polícia, encaminham-se para a P.S.P., perto da Alameda.
Ficam na rua, enquanto dois ou três representantes do grupo entram no edifício, para ser elaborado o auto de ocorrência. Após alguns telefonemas, feitos a quem de direito, surge autorização de avançarem com o propósito das serenatas, obedecendo a uma determinada contenção.
Percorreram todas as janelas previamente escolhidas, com pouco sucesso, e avançaram para o imprevisto, indo cantar à porta/janela do Dr. Aleixo da Cunha e do engenheiro José Maria Farrajota Cavaco, da Concil.
Este último, camaradão, abre as portas da casa e oferece à “malta” uma mesa bem composta, proporcionando a recompensa de uma noite, que ficaria para sempre na memória de todos.
A madrugada vem encontrá-los deitados nas ervas, perto da Capela de Santo António do Alto.
São recordações marcantes, que nunca se esquecem e às quais se associam, em todos os sextos anos, que passaram pelo nosso Liceu, em várias décadas, o nome do Dr. Joaquim Magalhães.
Lina Vedes – 11 de Junho de 2008

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Poetas de Faro

Personagens da Época

O "Marmelada"
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Em Faro, nos tempos do Merdock, havia um poeta consagrado: Cândido Guerreiro, muito reconhecido, na época.
E um outro, que havia de ser um dos maiores da Poesia Portuguesa, ainda a ensaiar os primeiros passos:
António Ramos Rosa.
Cândido Guerreiro era natural de Alte, mas estudou no Liceu de Faro e faleceu nesta cidade, em 1953, o ano que marcou o princípio da estória do Merdock. Morava perto do Liceu e frequentemente trocava impressões com alunos.
Ramos Rosa nasceu em Faro e só veio a publicar o seu primeiro livro de poemas "O Grito Claro", em 1958.
Depois havia outros, mais ou menos obscuros, ou menores. Ou os emergentes, que, mais tarde, teriam o seu lugar na Grande Poesia.
E também não posso deixar de relembrar esse grande repentista, o Aleixo, falecido anos antes, mas que perdurava na memória, pois passava frequentemente por Faro, na sua rota de andarilho a vender cautelas.
E um sujeito chamado Marques da Silva, conhecido pelo Marmelada, que fazia versos à moda antiga e se apresentava sempre elegantemente vestido, bem penteado, cheio de brilhantina no cabelo… e uma rosa na lapela!

segunda-feira, 4 de julho de 2011

MERDOCK, VELHOS TEMPOS

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Às vezes ponho-me em sossego a recordar e penso atrás, próximo de cinquenta e tais anos de distância. Circulando pela memória de repente salto e venço o tempo, regressando às coisas bonitas na infância feitas e que, distraídos, não demos importância naquele tempo de medo surdo-mudo, oculto e tenso, imposto ao povo que o carregava na alma a toque de caixa, e jovens gritavam "liberdade pró Merdock".
Era um cão desmazelado, pelo amarelo sujo, vadio, pele-e-osso, meio-grande, orelhas partidas, rafeiro perdido na cidade, que apareceu muitos dias a fio à porta do liceu, e muitos estudantes, primeiro brincam com ele aos poucos, depois a tempo inteiro cada vez mais amigos, com sobras matam o fastio do cão, e por fim não deixam que alguém o enxote ou maltrate, tornando-se por adopção sua mascote. Naquele tempo não havia liga de defesa de qualquer bicho, mas havia a carroça dos cães e homens de cotim, com laços compridos, para caçar os sem dono que andavam no lixo. E um dia, caçaram o Merdock e lavaran-no para os paços do canil, contra os estudantes, que logo reuniram os escassos dinheiros para pagar a multa, e cheios de brio e capricho, dirigiram-se ao canil municipal, em jeito de manifestação pelas ruas principais da cidade, para libertar Merdock, o cão.
O caso foi falado por toda a cidade e no liceu, penso, onde mandavam os homens do regime, os reitores cara de ferro, tendo à frente o zeloso e sisudo Ascenso, vigilante dos profes duvidosos, possíveis opositores.
As opiniões dividiram-se na sala dos professores, pois julgava-se que não seria preciso haver consenso, acerca da iniciativa estudantil de tão prosaica medida, mas a gente da situação viu no caso, coisa escondida.
E tanto assim foi que, passado um mês e poucos dias o Merdock, apanhado de novo, foi enviado pró canil em clara demonstração de poder e força, às rebeldias dos estudantes que, perante a evidente atitude hostil, voltaram a desfilar em manif, (desobediência civil), com cartazes e bandeiras pretas (autênticas heresias políticas). Chamados perante as pequenas majestades locais, ficaram sob nacional ameaça de pidescas grades.
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José Neves, em Gorgeios

terça-feira, 28 de junho de 2011

GILLETTE

Nos tempos do Merdock, ainda não tinham chegado a Portugal
as máquinas elétricas de fazer a barba.
Os barbeiros usavam a navalha.
Em casa, apenas alguns dos puritas a utilizavam. 
O que reinava era a lâmina de barbear,
que mantinha as nossas caras
como as meninas apreciavam: 
suaves como pétalas de rosa!
Merdock era um cão singular
e deu origem, em Faro,
a uma extraordinária
manifestação de solidariedade
que culminou na sua libertação.
Aqui se relembram
os factos e as personagens
envolvidas.
Veja também o meu blog de poesia