(clicar na imagem) ALGARVE ONTEM

(clicar na imagem) ALGARVE ONTEM
videopoema sobre o Algarve de Ontem e notas etnográficas sobre as actividades da época

O LADRAR DO MERDOCK

Clicar na imagem de Algarve Ontem
(em cima)


Não se assustem com o ladrar do Merdock.
Ele só embirra com polícias, guardas fiscais,
guardas republicanos e outras fardas!...



domingo, 27 de abril de 2008

ALMOÇO CONVÍVIO DE ANTIGOS ALUNOS DO LICEU DE FARO

.COMISSÃO ORGANIZADORA

ANABELA BUISEL CONCEIÇÃO SILVA

CARLOS PICOITO FELISBELA SANTOS

CARLOS VIEGAS FILIPE DINARTE COELHO

HELDER AMARO JOÃO FAZENDA

JOÃO SADLER JOSÉ ZEVERINO

LUIS FARROBO

COMISSÃO ORGANIZADORA ALARGADA

DINARTE VEDES LINA VEDES

MARGARIDA A. FIGUEIRAS MANUEL FIGUEIRAS

FÁTIMA RAMOS

COMISSÃO DE HONRA

FRANCISCA PRUDÊNCIO ANTÓNIO FELIX

JOSÉ NASCIMENTO

CONTACTOS:


Conceição Silva Felisbela Santos
Travª do Giestal, 10 - 3 dtº R.Ilha de S. Tomé, 8 r/c Dtº
1300-278 Lisboa 1170-185 Lisboa

conceicaoslsilva@gmail.com felisbelasantos@gmail.com
213620859 – 936258568 309965032 – 967357788

Dinarte Coelho Luís Farrobo
Rua Quinta da Nora, 2 -7º C Rua Emília das Neves, 3 – 2ºEsq
2795- Carnaxide 1500-259 Lisboa

dinarteccoelho@hotmail.com lfarrobo@gmail.com
214172777 – 966024124 217609077 - 969016821

PEDE-ME A ORGANIZAÇÃO PARA COMUNICAR QUE AS INSCRIÇÕES DEVEM SER FEITAS O MAIS BREVE POSSÍVEL, PARA O ALMOÇO CONVÍVIO DE OUTUBRO.

terça-feira, 22 de abril de 2008

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25 de ABRIL

uma bandeira na mão
outra no peito

atrás da razão
o direito.

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em Poemetos II (em preparação)

quarta-feira, 9 de abril de 2008

EQUIPA DE FUTEBOL

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Uma equipa de futebol
de professores do Liceu, nos anos 50.

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Quem os reconhece?

quarta-feira, 2 de abril de 2008

A MULHER DAS BANANAS

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A minha rua sempre foi um palco por onde desfilavam todos os eventos – procissões, bandas, estudantinas, as mascarinhas pelo Carnaval, paradas militares a caminho do treino na carreira de tiro, enterros e casamentos a pé…

Também por ela deambulavam as figuras problemáticas da época – o Cuco, o Zézinho dos cães, o menino Xico, o Toquim…e a mulher das bananas.

Morei sempre na mesma rua no número 27, que mudou de nome várias vezes. Era conhecida, no antigamente, pela rua do Peixe Frito, por ter imensas tabernas e o ar difundir cheiro a fritos. A rua afunilava na direcção da doca, não permitindo o escoamento odorífero. Mais tarde, alargaram-na, quando construíram o Hotel Faro e a característica que lhe dava o nome desapareceu com o decorrer dos anos. Mudou para rua Baleizão, a seguir rua A e por fim rua Dtº Oliveira Salazar. Após o 25 de Abril, passou a rua 1º de Maio.

A mulher das bananas fazia lembrar uma personagem de filme de terror…

Era de estatura baixa, para o forte. Pernas curtas, arcadas e cabeludas, pés grandes calçando chinelos sempre descambados, arrastando-os pela calçada num chap…chap ruidoso e inestético. Andava de perna aberta o tronco todo inclinado com o peso da enorme cesta de verga oval e com asa larga.

Um braço enfiado na asa da cesta o outro à cintura procurando o equilíbrio. Bamboleava-se ao andar, com os peitos volumosos, moles, pendurados num tic-tac descompassado. De vez em quando parava para descansar. Então, punha a cesta no chão e ficava de pé, com as pernas abertas, olhando para todos os lados, espreitando os passantes na esperança da venda.

O produto dela era pouco vendável, por isso pouco rentável. As bananas eram pequeníssimas, de casca preta, moles, com aspecto que conduzia ao fracasso de venda.

A procurar hipótese de negócio, juntava às bananas amendoins a que chamava ervilhanas ou alcagoitas. Para a venda delas tinha uma medida e o preço correspondia à quantidade solicitada pelo comprador.

Passava todos os dias, de manhã e à tarde, na minha rua ou a meio dela ou no passeio da frente. Era aí que ela parava. Punha a cesta no chão, abria as pernas, punha a mão em concha perto da boca, para elevar a voz, e berrava o mais que podia com sons estridentes, mais parecendo uma sirene.

Éééééésóoooo… cinco tostões… “cadbanana”…

Ervilhana “terrada”…

Repetia o pregão, eriçando ainda mais, o farto bigode que lhe ornamentava o beiço. Descansava e lá seguia caminho.

No seu andar baloiçante, todo o corpo tremia, tapado com uma bata larga, suja e rota. Arfava de cansaço, bufava de raiva e… ai de quem se metesse com ela.

A garotada adorava provocá-la. Bastava gritar-lhe:

- Oi, ti Maria, tem bananas?

Então, a ti Maria, pousava a cesta e daquela boca disforme e desdentada, saiam todos os nomes, de enfiada, numa ladainha de revolta. Sacava de um pau que escondia entre os produtos de venda e corria de um lado para o outro praguejando, enquanto os moçoilos fugiam rindo do espectáculo.

Quando, cansada, parava para respirar, espetava a cabeça coberta de cabelos imundos, lisos e compridos, sem cor definida, de olhos vesgos fixos no além.

Os sons guturais iam abrandando e por fim, lá pegava na cesta e seguia, resmungando, para outras bandas. Mas, ela fixava quem a provocava e, às vezes, vingava-se acertando uma paulada num provocador descuidado.

Não sei qual o fim da Maria das bananas.

Um dia … nunca mais voltou.

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LINA VEDES

(escrito em Junho de 2007, relatando acontecimentos de1945 a 1956)

Merdock era um cão singular
e deu origem, em Faro,
a uma extraordinária
manifestação de solidariedade
que culminou na sua libertação.
Aqui se relembram
os factos e as personagens
envolvidas.
Veja também o meu blog de poesia