O LADRAR DO MERDOCK

Clicar na imagem de Algarve Ontem
(em cima)


Não se assustem com o ladrar do Merdock.
Ele só embirra com polícias, guardas fiscais,
guardas republicanos e outras fardas!...



quarta-feira, 9 de abril de 2008

EQUIPA DE FUTEBOL

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Uma equipa de futebol
de professores do Liceu, nos anos 50.

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Quem os reconhece?

quarta-feira, 2 de abril de 2008

A MULHER DAS BANANAS

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A minha rua sempre foi um palco por onde desfilavam todos os eventos – procissões, bandas, estudantinas, as mascarinhas pelo Carnaval, paradas militares a caminho do treino na carreira de tiro, enterros e casamentos a pé…

Também por ela deambulavam as figuras problemáticas da época – o Cuco, o Zézinho dos cães, o menino Xico, o Toquim…e a mulher das bananas.

Morei sempre na mesma rua no número 27, que mudou de nome várias vezes. Era conhecida, no antigamente, pela rua do Peixe Frito, por ter imensas tabernas e o ar difundir cheiro a fritos. A rua afunilava na direcção da doca, não permitindo o escoamento odorífero. Mais tarde, alargaram-na, quando construíram o Hotel Faro e a característica que lhe dava o nome desapareceu com o decorrer dos anos. Mudou para rua Baleizão, a seguir rua A e por fim rua Dtº Oliveira Salazar. Após o 25 de Abril, passou a rua 1º de Maio.

A mulher das bananas fazia lembrar uma personagem de filme de terror…

Era de estatura baixa, para o forte. Pernas curtas, arcadas e cabeludas, pés grandes calçando chinelos sempre descambados, arrastando-os pela calçada num chap…chap ruidoso e inestético. Andava de perna aberta o tronco todo inclinado com o peso da enorme cesta de verga oval e com asa larga.

Um braço enfiado na asa da cesta o outro à cintura procurando o equilíbrio. Bamboleava-se ao andar, com os peitos volumosos, moles, pendurados num tic-tac descompassado. De vez em quando parava para descansar. Então, punha a cesta no chão e ficava de pé, com as pernas abertas, olhando para todos os lados, espreitando os passantes na esperança da venda.

O produto dela era pouco vendável, por isso pouco rentável. As bananas eram pequeníssimas, de casca preta, moles, com aspecto que conduzia ao fracasso de venda.

A procurar hipótese de negócio, juntava às bananas amendoins a que chamava ervilhanas ou alcagoitas. Para a venda delas tinha uma medida e o preço correspondia à quantidade solicitada pelo comprador.

Passava todos os dias, de manhã e à tarde, na minha rua ou a meio dela ou no passeio da frente. Era aí que ela parava. Punha a cesta no chão, abria as pernas, punha a mão em concha perto da boca, para elevar a voz, e berrava o mais que podia com sons estridentes, mais parecendo uma sirene.

Éééééésóoooo… cinco tostões… “cadbanana”…

Ervilhana “terrada”…

Repetia o pregão, eriçando ainda mais, o farto bigode que lhe ornamentava o beiço. Descansava e lá seguia caminho.

No seu andar baloiçante, todo o corpo tremia, tapado com uma bata larga, suja e rota. Arfava de cansaço, bufava de raiva e… ai de quem se metesse com ela.

A garotada adorava provocá-la. Bastava gritar-lhe:

- Oi, ti Maria, tem bananas?

Então, a ti Maria, pousava a cesta e daquela boca disforme e desdentada, saiam todos os nomes, de enfiada, numa ladainha de revolta. Sacava de um pau que escondia entre os produtos de venda e corria de um lado para o outro praguejando, enquanto os moçoilos fugiam rindo do espectáculo.

Quando, cansada, parava para respirar, espetava a cabeça coberta de cabelos imundos, lisos e compridos, sem cor definida, de olhos vesgos fixos no além.

Os sons guturais iam abrandando e por fim, lá pegava na cesta e seguia, resmungando, para outras bandas. Mas, ela fixava quem a provocava e, às vezes, vingava-se acertando uma paulada num provocador descuidado.

Não sei qual o fim da Maria das bananas.

Um dia … nunca mais voltou.

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LINA VEDES

(escrito em Junho de 2007, relatando acontecimentos de1945 a 1956)

domingo, 23 de março de 2008

MÉTODOS PEDAGÓGICOS 3

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Uma Professora de Liceu (anos 50)


Como veio esta professora solteirona e já velha, parar ao Liceu Nacional de Faro?!
Apareceu, ficou efectiva e atribuíram-lhe o 2º ciclo das turmas femininas, com duas disciplinas – Francês e Português.
A entrada na sala de aula, no dia de estreia, avivou logo o nosso espírito crítico, mais instintivo que científico.
Após o 2º toque, enfiou pela sala, toda desengonçada, de perna aberta, parecendo mancar, apressada em direcção à secretária. Ao subir o estrado, quase tropeçou, e todo o tronco volumoso, estremeceu.
O peito e barriga formavam um bloco, sem cintura, mais parecendo uma montanha dividida pelo cós da saia.
A roupa usada revelava, pouca preocupação com o visual, cores discordantes, corte feito em casa, mais parecendo um “espantalho” vestido. Trazia uma malinha de mão com asa curta, e conforme andava a mala baloiçava para cá e para lá, ao ritmo da dona.
Não se sentou, jogou-se para a cadeira, arfando pelo esforço realizado.
Após um espaço, relativamente curto, que nos proporcionou uma observação mais atenta, diz:
- Sumário: Apresentação.
Saca da mala, abre-a, coloca-a em cima da secretária, pega no livro de ponto, tira dois pares de óculos, põe uns e começa a escrever… Acabada a tarefa, tira os óculos, coloca outros, levanta-se, apresenta-se e esclarece-nos sobre o programa de Francês.
Para ser simpática, convida-nos a dizer nomes portugueses, que ela diria, em francês. Surgiram imensos, como lápis, cabeça, caderno… até que, a Celma, a mais pequenita da sala, que vinha diariamente de Olhão, se levanta e diz:
- A propósito, como se diz pescoço em francês?
Foi como um raio a cair na sala de aula.
A professora dá um salto, toda trémula, agarra-se à Celma, aperta-a, sacode-a e grita desesperada, lançando chuveiro de cuspo para todos os lados:
- Vejam lá a maldade que está contida neste corpinho. Grande malandra, não tens vergonha?
Fez-se silêncio, toda a sala parada, a observar…
A aluna visada, branca como a cal…
Finalmente, a professora larga-a, vai para a secretária e senta-se com os braços caídos, ao longo do corpo.
Ficámos na expectativa e observantes!!!!!!!!!!
A cara, nada tinha de harmonioso, a boca enorme, de lábios finos, ao abri-la, mostrava toda a dentadura rala e saída para a frente. O queixo pegava com o pescoço, formando um papo que caía sobre peito, agora vermelho de excitação, revelando grandes veias azuis. Os olhos claros, que até deveriam ter sido bonitos, acumulavam, à volta, rugas da idade. A barba e o bigode, com aspecto descuidado por falta de esmero na depilação, mostravam pêlos soltos, uns grandes e outros pequenos, espetados. O cabelo, com pintura e permanente de caracóis pequeninos, feitos há algum tempo, apresentava-se encrespado e russo.
Tirámos, de imediato, o perfil de professora que nos tinha caído em sorte.
Daí em diante, não lhe demos mais tréguas. Aos poucos, fomos ganhando espaço, dominando a situação, abusando da sua fragilidade, numa caricatura, construída sobre o exagero das exigências comportamentais, das outras aulas.
Pobre dela, que sofreu situações incríveis, nas mãos de adolescentes insensíveis aos sentimentos, que viviam unicamente, à procura de diversão e protagonismo.
O ritmo de trabalho da professora, durante o tempo lectivo, era sempre o mesmo. Chegar, escrever no livro de ponto o sumário, verificar as faltas, dar matéria e fazer chamadas.
Escrevia no quadro a matéria dada, para nós copiarmos no caderno diário e a seguir iniciava, com o interrogatório, a duas ou três alunas, colocando-as, à sua volta, junto da secretária.
Este esquema facilitava as nossas brincadeiras. Enquanto a professora escrevia no quadro, valia tudo, desde jogar à batalha naval, às 5 pedrinhas (feitas com saquinhos cheios de arroz), a ir junto da secretária molhar a caneta (não existiam esferográficas), num desfile contínuo com roupas trocadas, sapatos ao contrário, passos de dança…
No tempo atribuído às chamadas, as “sacrificadas”, junto da professora, isolavam-na, por completo, do resto da turma.
Quando, o barulho ultrapassava, todos os limites, ela afastava as alunas, dava uma espreitadela, fazia-se um pouco de silêncio, e tudo regressava ao mesmo.
Pouco se aprendia nestas aulas e os interrogatórios levavam, aos chamados “esticanços”.
As alunas postas à prova, tanto a francês como português, levavam o livro, liam um pouco do texto, sujeitavam-se a perguntas de interpretação e a questões gramaticais.
Havia sempre, duas ou três colegas, que dominavam as matérias e se posicionavam, nas carteiras da frente, “bufando” as respostas. Como a professora era surda, não se apercebia, ou não se preocupava, porque a avaliação não era baseada nos conhecimentos, mas sim no comportamento.
Aluna considerada por ela, irrequieta, faladora ou abusadora, não tinha salvação. A classificação variava do Muito bom, Bom, Suficiente, Sofrível, Medíocre ao Mau e assim se recebiam as notas, consoante o grau de simpatia.
Todas as semanas tínhamos exercícios escritos e todos eles vinham com classificação idêntica.
Cheguei a entregar um exercício meu, com o nome da melhor aluna, no cabeçalho, e ser classificado com Bom. Ao verificar o engano, no acto da entrega, riscar e escrever, o fatídico Mau.
Uma outra vez, uma amiga de Bom, passou-me as perguntas, que copiei na íntegra. Como resultado final, surgiu Mau no meu e Bom no dela.
O barulho e desorganização, ultrapassavam os limites. Num dia de desorientação, levanta-se, coloca-se no meio do estrado, de pernas abertas, braços no ar e grita completamente perdida:
- Estou farta de fazer chô… chô…chô… e vocês não se calam!!!!!!!!!!!!!
Foi uma risada colectiva, sem fim. Nunca mais caiu em repetir, tal desabafo!

Lina Vedes – 18 de Fevereiro de 2008

Nota: - CARICATURA do PASSADO – professor de “poder absoluto”

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Para um futuro de qualidade, há 4 componentes essenciais.

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PAIS
– responsáveis, que transmitam aos filhos princípios de valores humanos, vontade de lutar e vencer na vida e que respeitem e dignifiquem os educadores (socialização e humanização)
PROFESSORES – empenhados, dignificados, justos, respeitados, trabalhando com alegria
ALUNOS – acima de tudo interessados e conscientes do papel da ESCOLA na sua formação integral
EDIFÍCIO escolar – com condições, organizado e atractivo


Para que a escola seja o nosso Futuro, tem de haver uma plataforma de entendimento baseada na cedência construtiva, desligada de interesses pessoais ou partidários (com o Ministério).

Lina Vedes – 14 de Março de 2008

quarta-feira, 12 de março de 2008

FUTEBOL






Para os amantes do futebol, aqui ficam os emblemas dos clubes que militavam na 1ª Divisão, nos tempos do Merdock.

sábado, 8 de março de 2008

A CEREJA NO TOPO DO BOLO


O Merdock quando ainda era cachorrinho?
Não!
Ou até talvez fosse assim...

Na imagem, está o Merdock, retirado do bolo que foi confeccionado em sua honra, no já célebre Almoço de Confraternização de antigos alunos do Liceu de Faro,
da década de 50, em S. Brás de Alportel.

Atenção: outro encontro está aprazado para Outubro.
Sigam, aqui, as informações.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

MAIS DUAS FOTOGRAFIAS DO ENCONTRO

clique para aumentar


Vejo o Baracho, na primeira fotografia... Este, está em todas!

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

ALMOÇO DE CONFRATERNIZAÇÃO

Recebemos dos organizadores a seguinte mensagem:

Olá moças e moços!

Olá Juventude!

Antigos alunos do Liceu Nacional de Faro das décadas 50 e 60!

Para manter viva a convivência de anos anteriores, estamos a dar-vos conhecimento que aceitámos responder ao desafio da Organização anterior e que vamos organizar o Encontro/Almoço, a realizar em

Lisboa, a 4 de Outubro de 2008

Em breve daremos mais informações V.C.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

ANIVERSÁRIO

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Passou ontem, Domingo, 17 de Fevereiro, o 54º aniversário da libertação do Merdock.
O Vidal não quis deixar de comemorar o acontecimento. Deslocou-se, de propósito, desde Lisboa, a Lagos, para depositar um ramo de flores junto à estátua do Merdock que tem no seu quintal. Infelizmente, por questões inadiáveis, eu não pude estar presente.
Já de Lisboa me enviou o testemunho dessa homenagem: uma fotografia.
Curiosamente, as flores, lírios rústicos, tinham sido enviadas pelo outono-desconhecido, que as receberam da aldeia onde está o sino!
E acontece também que, ontem, tive o grato prazer de conhecer a filha do Drº Fortes, professor de Ginástica dos tempos do Merdock, e que foi um dos contribuintes da subscrição que, faz hoje 54 anos, foi feita para obter o dinheiro necessário para libertar o cachorro. Foi com emoção que ouvi da boca da senhora, lembrar este facto, com orgulho.
Disse-me que pai lhe contara a história, mas não leu ainda o livro, que me pediu.
Fique descansada, ele já vai a caminho!

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

EFEMÉRIDE

Era uma Terça-Feira. Há 54 anos. O Merdock, como qualquer aluno assíduo, aparecia todos os dias, no Liceu. Mas nesse dia, ninguém o viu. Que acontecera? Porventura ter-se-ia perdido de amores por alguma gentil cadelinha… e lá fora, sabe-se lá para onde... – aventavam os mais imaginativos. Só no outro dia, ao cair da tarde, se soube (por uns miúdos que moravam perto da Igreja do Carmo), que o Merdock fora catrafilado pelos agentes da Câmara, por não ter coleira, nem pagar impostos.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

BILHETE DE COMBOIO


Quem é que se lembra deste tipo de bilhetes de comboio?
Merdock era um cão singular
e deu origem, em Faro,
a uma extraordinária
manifestação de solidariedade
que culminou na sua libertação.
Aqui se relembram
os factos e as personagens
envolvidas.
Veja também o meu blog de poesia