O LADRAR DO MERDOCK

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(em cima)


Não se assustem com o ladrar do Merdock.
Ele só embirra com polícias, guardas fiscais,
guardas republicanos e outras fardas!...



domingo, 31 de janeiro de 2010

SIDÓNIO

Auto-retrato

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Aquando do cortejo e manifestação (pela Avenida abaixo, direito à Câmara), para sensibilizar as autoridades no sentido de libertar o Merdock, muitos populares e curiosos se juntaram a ela.

E também, sabe-se hoje, vários alunos da Escola Técnica (os rivais "costoletas").

Entre uns e outros, não poderia faltar o grande artista plástico, Sidónio!

Sidónio nasceu na cidade de Faro, em 1918 e estudou na Escola Técnica e Industrial

As suas primeiras obras foram desenhos e caricaturas dos seus amigos – para o que revelava grande talento. Mais tarde enveredou pela escultura e painéis de grandes dimensões.

Na evolução da sua obra pressentem-se-lhe influências neo-realistas e também surrealistas.

Sendo oriundo da "rival" Escola Técnica, tinha a maior parte dos amigos entre os "bifes" que iam chegando aos últimos patamares dos estudos liceais, passados uns vinte anos depois de ter terminado os seus.

Esta pequena homenagem a esse grande artista farense (e também grande amigo,) surge dias antes de se comemorar mais um aniversário da Libertação do Merdock – acontecimento de grande importância na consciencialização das gerações que haveriam de fazer o 25 de Abril.

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(Acontece que, quando decidi editar o livro
"MERDOCK, um cão em Faro, anos 50",

desloquei-me a Faro,
com o propósito de pedir ao Sidónio
para fazer a capa do livro.
Porém, tinha infelizmente falecido, pouco tempo antes.)
Ele que era um dos amigos indefectíveis do Merdock!

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010





















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F
oi neste local, a Porta da Vila, junto ao Governo

Civil de Faro que, em Fevereiro de 1954,

a polícia interceptou a manifestação organizada

pelos estudantes do Liceu de Faro,

mandando arrear os cartazes que exigiam

a liberdade e a imediata libertação do Merdock.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

LANÇAMENTO de LIVRO


clique para melhor ler
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* O Pátio das Letras é na rua Cândido Guerreiro, nº 26.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

O CÃO MERDOCK

MERDOCK, VELHOS TEMPOS

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Às vezes ponho-me em sossego a recordar e penso

atrás, próximo de cinquenta e tais anos de distância.

Circulando pela memória de repente salto e venço

o tempo, regressando às coisas bonitas na infância

feitas e que, distraídos, não demos importância

naquele tempo de medo surdo-mudo, oculto e tenso,

imposto ao povo que o carregava na alma a toque

de caixa, e jovens gritavam"liberdade pró Merdock".

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Era um cão desmazelado, pelo amarelo sujo, vadio,

pele-e-osso, meio-grande, orelhas partidas, rafeiro

perdido na cidade, que apareceu muitos dias a fio

à porta do liceu, e muitos estudantes, primeiro

brincam com ele aos poucos, depois a tempo inteiro

cada vez mais amigos, com sobras matam o fastio

do cão, e por fim não deixam que alguem o enxote

ou maltrate, tornando-se por adopção sua mascote.

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Naquele tempo não havia liga de defesa de qualquer bicho,

mas havia a carroça dos cães e homens de cotim, com laços

compridos, para caçar os sem dono que andavam no lixo.

E um dia, caçaram o Merdock e lavaran-no para os paços

do canil, contra os estudantes, que logo reuniram os escassos

dinheiros para pagar a multa, e cheios de brio e capricho,

dirigiram-se ao canil municipal, em jeito de manifestação

pelas ruas principais da cidade, para libertar Merdock, o cão.

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O caso foi falado por toda a cidade e no liceu, penso,

onde mandavam os homens do regime, os reitores

cara de ferro, tendo à frente o zeloso e sisudo Ascenso,

vigilante dos profes duvidosos, possíveis opositores.

As opiniões dividiram-se na sala dos professores,

pois julgava-se que não seria preciso haver consenso,

acerca da iniciativa estudantil de tão prosaica medida,

mas a gente da situação viu no caso, coisa escondida.

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E tanto assim foi que, passado um mês e poucos dias

o Merdock, apanhado de novo, foi enviado pró canil

em clara demonstração de poder e força, às rebeldias

dos estudantes que, perante a evidente actitude hostil,

voltaram a desfilar em manif, (desobediência civil),

com cartazes e bandeiras pretas (autênticas heresias

políticas). Chamados perante as pequenas majestades

locais, ficaram sob nacional ameaça de pidescas grades.

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José Neves, em Gorgeios


quinta-feira, 12 de novembro de 2009

AS TRÊS PRIMEIRAS-DAMAS ORIUNDAS DO ALGARVE

3 flores de amendoeira



CRÓNICA


Estudei na Escola Tomás Cabreira, em Faro nos anos 50, no tempo em que o Merdock andava no Liceu.
Sou natural da Fuzeta, sinto-me Algarvio de Gema e tenho muito gosto em referir que, na minha terra, foi brotada uma menina que, mais tarde como ilustre senhora, viria a inaugurar uma “série” de Primeiras-Damas de Portugal, onde se incluem três Marias originárias do Algarve, três “flores de amendoeira”.

Para os menos atentos, passo a referir a interessante sequência:

1ª Primeira-Dama 1986-1996, Drª Maria de Jesus Barroso, natural da Fuzeta (concelho de Olhão);
2ª Primeira-Dama 1996-2006, Drª Maria José Ritta, oriunda de Vila Real de S. António, estudou em Faro no Colégio do Alto, situado atrás do Liceu, quando o Merdock andava por lá.
3ª Primeira-Dama 2006, Drª Maria Alves Cavaco Silva, natural de S. Bartolomeu de Messines (concelho de Silves), terra do poeta e pedagogo João de Deus, que concebeu a “Cartilha Maternal”.

Quanto a nós Algarvios, simplesmente, três Marias que, por mérito próprio e de seus maridos, alcançaram um título muito prestigiado de altas dignitárias em Portugal.
Sinto orgulho neste facto mas, não esqueço de citar que, “para apoiar um Grande Homem, há sempre uma Grande Mulher”

(de preferência Algarvia, digo eu...)

Mário Tanganho

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Domingo, 25 de Fevereiro de 2007

DEPOIMENTO (2)

Sensibilizado pela abordagem que tem sido feita à Saga do Merdock, vou tentar, por este meio, contribuir com a minha avaliação da atitude do grupo estudantil do qual eu, então, fazia parte.
No ano lectivo de 1953/54, o ambiente no interior do Liceu de Faro era de clausura e de austeridade mas, no exterior o clima, a luminosidade do céu, a paisagem, as flores emanavam vitalidade e convidavam a viver alegremente.
Afinal, estávamos no Algarve onde a natureza envolvente e as pessoas irradiam essa reconhecida forma de estar.
Traduz-se num constante apelo à liberdade, ao qual os jovens sempre foram sensíveis, sem confundir com a irreverência ou a libertinagem que, infelizmente, hoje abunda por aí.
Curiosamente, no liceu e nessa época remota, entre outros saberes também ensinavam a marcar passo, o canto e o coral, o amor ao próximo e o respeito pelos valores de cidadania.
Penso que, para além do português e da filosofia, da física ou da matemática, os alunos e alunas do liceu acompanhados por outros jovens da cidade, que aderiram entusiasticamente ao cortejo que descia a avenida cidade adentro, naquele dia, utilizaram os saberes apropriados à libertação de um simples rafeiro que se revelara ser amigo dos estudantes.
Corajosamente marcharam pela avenida e demais ruas da cidade até ao município, cantaram e gritaram pela liberdade do amigo, revelaram amor por aquele que nunca lhes negou um abanar de cauda, conseguiram legitimar a existência de um ser vivo aprisionado.
Este foi o gesto assumido por muitos jovens, aplaudido por muitos cidadãos que também ansiavam por alguma liberdade e observado por outros que, sem ousar manifestar-se,temiam pela perda de estatuto ou de privilégios adquiridos.
A imprensa cuidou de relevar a atitude estudantil.
A autoridade estabelecida tentou perceber o que se estava a passar.
Na minha opinião, este terá sido um grito de alerta para a liberdade, em nome do Merdock, que concedeu naquele tempo aos estudantes mais regozijo do que, então, poderia ser imaginado pelos seus tutores.
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V. A.
2 comentários

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Uma casa em pedra

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

http://www.youtube.com/watch?v=YhWTIuqthR0

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Merdock era um cão singular
e deu origem, em Faro,
a uma extraordinária
manifestação de solidariedade
que culminou na sua libertação.
Aqui se relembram
os factos e as personagens
envolvidas.
Veja também o meu blog de poesia