O LADRAR DO MERDOCK

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(em cima)


Não se assustem com o ladrar do Merdock.
Ele só embirra com polícias, guardas fiscais,
guardas republicanos e outras fardas!...



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terça-feira, 11 de dezembro de 2007

AINDA O ENCONTRO

Os Caminhos da Amizade


Há caminhos que vêm
Há caminhos que vão
Caminhos paralelos
Caminhos que se cruzam
Caminhos que nunca mais se encontram
E caminhos muito cedo interrompidos!


Mas hoje os nossos caminhos,
Que há muitos anos já estiveram juntos,
Trouxeram-nos, de novo, até aqui.


É tempo para um novo olhar
Tempo de alegria, de emoção
Tempo de recordar…


Passaram tantos anos…
Alguns de nós percorremos caminhos
Que nunca mais se encontraram
Desde que fomos jovens, alegres, felizes
E sobretudo amigos!


Há amizades que perduram até hoje
Outras que se perderam ao longo dos anos
Porque percorremos caminhos distantes.
Mas hoje irão renascer
E voltar a ser o que eram dantes.


Há que aproveitar a felicidade
Deste reencontro…
E tentar reviver as emoções, os sentimentos
E o encantamento dos nossos jovens anos
Ingénuos e crédulos no que a vida nos iria dar!


Não importa que algumas esperanças se tenham perdido
E muitos dos sonhos não se tenham realizado…
O que importa é estarmos, de novo, juntos
E continuarmos a ser capazes
De acreditar …
De acreditar na Amizade!


Amanhã será um outro dia
Cada um de nós irá continuar a percorrer
O seu próprio caminho

Mas a caminhada vai ser mais leve
Mais alegre e mais sentida


Porque o dia de hoje fez renascer, em nós

Aquele espírito jovem
Que nos ajuda a acreditar na vida…


Percorreremos todos os caminhos
Com mais entusiasmo e mais vontade
Na esperança de nos continuarmos a encontrar!

Que os nossos caminhos sejam percorridos
Com muita felicidade
E viva a AMIZADE


Maria Celeste Mascarenhas Santos

(Encontro dos antigos alunos do Liceu de Faro-1957-2007)
6 /10 /2007

sexta-feira, 11 de maio de 2007

AS ORIGENS DO MERDOCK (2)

Conclue a postagem anterior

Chegara à cidade, quase sem o saber, apenas na ânsia de desvendar um caminho novo, por onde nunca fora; e com que nunca ao menos ousara sonhar. Entrara no desconhecido. E pensou, de tudo quanto via, que talvez aí viesse a ter uma vida mais desenfastiante do que a que sabia lhe estar destinada, no monte onde nascera. A velha mãe mostrava-se cansada, seria ele a tomar o seu lugar, quando ela não prestasse para nada.
Não é que se sentisse subalternizado, ou menosprezado. Sentia-lhe ainda o mesmo afecto, de quando o despertara as primeiras realidades da vida. Mas antevia um futuro igual ao dela, sem mistério e sem glória, sempre igual, pelos dias e pelas noites.
A única coisa que sempre o transcendia em alegria e emoção, eram os dias caça. Aí sentia a plenitude da existência, uma razão forte para a vida, um inexcedível júbilo.
Mas, infelizmente, esses dias de euforia e alvoroço eram poucos, cada vez mais raros, à medida que o patrão, ele próprio, caminhava também, como a mãe, para a decrepitude.
Por isso se aventurara a ver se via como seriam outros lugares e outras gentes, porventura outras balbúrdias ainda mais avassaladoras do que os dias de caça, com a mãe e o dono, por montes e vales.
No entanto, às portas da cidade, pensou que não teria condições para ficar por ali. De resto, não conhecia ninguém e, na verdade, dos que por ali andavam, nenhum lhe prestou a mínima atenção.
Ia voltar para trás, pelo mesmo caminho por onde viera, quando, de repente, começou a ouvir qualquer coisa, uns sons que nunca tinha ouvido, vindos duma rua lateral. Instintivamente dobrou a esquina e deu com um rapaz a esfregar os beiços por uma espécie de tubo, donde pareciam sair aqueles sons. Sentiu-se maravilhado. Tudo quanto até ali ouvira, eram os assobios do vento, o estrepitar das águas pela levada que vinha do tanque, o rumorejar das árvores, o cacarejar monótono das galinhas ou de algum pintassilgo trinando no silvedo, ou nas romãzeiras.
O rapaz tocava uma música dolente, eivada de entoações profundas, com requebros de emoção e afecto. Era um fado do Carlos Ramos, muito em voga, nesses tempos:

...
Não venhas tarde
...diz-me ela com carinho

Sentiu-se quase entristecer, o coração a bater de emoção. Mas também sentia os olhos a se revigorarem de alvoroço e agitação. Como era diferente, a vida, naqueles lugares!
Foi então que o rapaz se pôs a soprar uns sons muito diferentes, joviais, prazenteiros, que lhe davam vontade de os repetir com ele, e com ele comungar da mesma alegria.

...
Cantiga da rua
...nem minha nem tua
...não é de ninguém…

As dúvidas dissiparam-se-lhe.
Talvez assim, pudesse alcançar os pássaros e voar com eles, pelos céus.

Decidiu ficar.

Merdock era um cão singular
e deu origem, em Faro,
a uma extraordinária
manifestação de solidariedade
que culminou na sua libertação.
Aqui se relembram
os factos e as personagens
envolvidas.
Veja também o meu blog de poesia