O LADRAR DO MERDOCK

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Não se assustem com o ladrar do Merdock.
Ele só embirra com polícias, guardas fiscais,
guardas republicanos e outras fardas!...



domingo, 25 de fevereiro de 2007

DEPOIMENTO (2)

Sensibilizado pela abordagem que tem sido feita à Saga do Merdock, vou tentar, por este meio, contribuir com a minha avaliação da atitude do grupo estudantil do qual eu, então, fazia parte.
No ano lectivo de 1953/54, o ambiente no interior do Liceu de Faro era de clausura e de austeridade mas, no exterior o clima, a luminosidade do céu, a paisagem, as flores emanavam vitalidade e convidavam a viver alegremente.
Afinal, estávamos no Algarve onde a natureza envolvente e as pessoas irradiam essa reconhecida forma de estar.
Traduz-se num constante apelo à liberdade, ao qual os jovens sempre foram sensíveis, sem confundir com a irreverência ou a libertinagem que, infelizmente, hoje abunda por aí.
Curiosamente, no liceu e nessa época remota, entre outros saberes também ensinavam a marcar passo, o canto e o coral, o amor ao próximo e o respeito pelos valores de cidadania.
Penso que, para além do português e da filosofia, da física ou da matemática, os alunos e alunas do liceu acompanhados por outros jovens da cidade, que aderiram entusiasticamente ao cortejo que descia a avenida cidade adentro, naquele dia, utilizaram os saberes apropriados à libertação de um simples rafeiro que se revelara ser amigo dos estudantes.
Corajosamente marcharam pela avenida e demais ruas da cidade até ao município, cantaram e gritaram pela liberdade do amigo, revelaram amor por aquele que nunca lhes negou um abanar de cauda, conseguiram legitimar a existência de um ser vivo aprisionado.
Este foi o gesto assumido por muitos jovens, aplaudido por muitos cidadãos que também ansiavam por alguma liberdade e observado por outros que, sem ousar manifestar-se,temiam pela perda de estatuto ou de privilégios adquiridos.
A imprensa cuidou de relevar a atitude estudantil.
A autoridade estabelecida tentou perceber o que se estava a passar.
Na minha opinião, este terá sido um grito de alerta para a liberdade, em nome do Merdock, que concedeu naquele tempo aos estudantes mais regozijo do que, então, poderia ser imaginado pelos seus tutores.
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V. A.

domingo, 21 de janeiro de 2007

TEMA DE DEBATE

50 anos depois dos acontecimentos que rodearam o Merdock, pode começar a fazer-se a história da sua vida e das circunstâncias que levaram à sua captura pela autoridades instituídas e a sua posterior libertação.


Será interessante reflectir sobre esses factos singulares e quase inacreditáveis para os mais novos, num tempo em que quase tudo era proibido e reprimido.

A grande manifestação dos estudantes do Liceu Nacional de Faro, com vista à libertação do Merdock, poderá ser vista sob diversos prismas:

1 – Tratou-se, tão só, duma atitude colectiva de pueris estudantes movidos por sentimentos de altruísmo, em favor dum animal de sua estimação.

2 – Foi uma manobra bem concebida e organizada por uns poucos (os mais velhos), já relativamente conhecedores do estado calamitoso do país, nas sua vertentes políticas, sociais, económicas e culturais, ao arrepio do que sucedia por essa Europa fora.

3 – Terá sido apenas um sentimento espontâneo de libertação, em relação às regras opressivas e obsoletas impostas pela Reitoria.

Além disso, este espaço, deverá ser um ponto de encontro dos antigos alunos desses tempo do Merdock, que assim poderão contactar.
Merdock era um cão singular
e deu origem, em Faro,
a uma extraordinária
manifestação de solidariedade
que culminou na sua libertação.
Aqui se relembram
os factos e as personagens
envolvidas.
Veja também o meu blog de poesia