O LADRAR DO MERDOCK

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Não se assustem com o ladrar do Merdock.
Ele só embirra com polícias, guardas fiscais,
guardas republicanos e outras fardas!...



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sexta-feira, 2 de abril de 2010

DEPOIMENTOS (1)


Efeméride da Libertação do Merdock

18 de Fevereiro de 1954

A propósito da efeméride dos 53 anos da manifestação que concedeu liberdade ao Merdock, recordo um diálogo que presenciei durante um almoço de confraternização entre antigos alunos do Liceu de Faro.
Sendo ambos sexagenários, com aparente jovialidade, questionava um deles:
"Para te localizar no tempo, dá-me uma referência de amigos ou colegas mais conhecidos"
Ao que o outro, de memória ainda viva, começou a citar nomes que, visivelmente, não teriam relevância ou significado temporal.
"Oh pá!! Simplifica as coisas! Saíste do liceu, antes ou depois do Merdock?"
E, com entusiasmo, ainda acrescentou:
"É que eu estava lá e participei na manif"...
Foi então nesta fase do diálogo que eu despertei para uma realidade, vibrante e consistente:
Muitos dos estudantes que participaram naquele movimento, e eram algumas centenas de rapazes e raparigas, ao descerem a avenida em direcção à baixa citadina, empunhando alguns cartazes alusivos ao Merdock, também queriam demonstrar a sua ânsia de liberdade.
Surgiu uma referência temporal para os antigos alunos do Liceu de Faro: A "Era do Merdock".
Fiquei a saber que tudo pode ser relativizado e que cada um pode adoptar a simbologia que lhe parece mais interessante.

Depoimento enviado por DL

domingo, 25 de fevereiro de 2007

DEPOIMENTO (2)

Sensibilizado pela abordagem que tem sido feita à Saga do Merdock, vou tentar, por este meio, contribuir com a minha avaliação da atitude do grupo estudantil do qual eu, então, fazia parte.
No ano lectivo de 1953/54, o ambiente no interior do Liceu de Faro era de clausura e de austeridade mas, no exterior o clima, a luminosidade do céu, a paisagem, as flores emanavam vitalidade e convidavam a viver alegremente.
Afinal, estávamos no Algarve onde a natureza envolvente e as pessoas irradiam essa reconhecida forma de estar.
Traduz-se num constante apelo à liberdade, ao qual os jovens sempre foram sensíveis, sem confundir com a irreverência ou a libertinagem que, infelizmente, hoje abunda por aí.
Curiosamente, no liceu e nessa época remota, entre outros saberes também ensinavam a marcar passo, o canto e o coral, o amor ao próximo e o respeito pelos valores de cidadania.
Penso que, para além do português e da filosofia, da física ou da matemática, os alunos e alunas do liceu acompanhados por outros jovens da cidade, que aderiram entusiasticamente ao cortejo que descia a avenida cidade adentro, naquele dia, utilizaram os saberes apropriados à libertação de um simples rafeiro que se revelara ser amigo dos estudantes.
Corajosamente marcharam pela avenida e demais ruas da cidade até ao município, cantaram e gritaram pela liberdade do amigo, revelaram amor por aquele que nunca lhes negou um abanar de cauda, conseguiram legitimar a existência de um ser vivo aprisionado.
Este foi o gesto assumido por muitos jovens, aplaudido por muitos cidadãos que também ansiavam por alguma liberdade e observado por outros que, sem ousar manifestar-se,temiam pela perda de estatuto ou de privilégios adquiridos.
A imprensa cuidou de relevar a atitude estudantil.
A autoridade estabelecida tentou perceber o que se estava a passar.
Na minha opinião, este terá sido um grito de alerta para a liberdade, em nome do Merdock, que concedeu naquele tempo aos estudantes mais regozijo do que, então, poderia ser imaginado pelos seus tutores.
.
V. A.
Merdock era um cão singular
e deu origem, em Faro,
a uma extraordinária
manifestação de solidariedade
que culminou na sua libertação.
Aqui se relembram
os factos e as personagens
envolvidas.
Veja também o meu blog de poesia