O LADRAR DO MERDOCK

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Não se assustem com o ladrar do Merdock.
Ele só embirra com polícias, guardas fiscais,
guardas republicanos e outras fardas!...



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quarta-feira, 11 de setembro de 2013

José Luís boxer

Assim se chamava ele: José Luís.
Nasceu em Aljezur e passou muito do seu tempo em Faro. 
Foi campeão nacional de boxe.
E terminou na "luta livre".
Nessa condição, combateu no outro lado do mar. 
Daí o se nome americanizado...
E em Faro vivia, nos tempos do Merdock.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

O LICEU NACIONAL DE FARO



Na década que seguiu o pós-guerra, Portugal acrescentou um enorme atraso em relação a países para onde, em breve, ia começar uma forte emigração de mão d’obra não qualificada e indiferenciada. O país encontrava-se num calamitoso estado de míngua, em todas as suas vertentes: económica, social e cultural.
O grau de escolaridade dos portugueses era muito baixo.
O analfabetismo reinava por todo o lado, especialmente entre os rurais, os pescadores e os mais pobres das cidades e vilas. O Algarve não fugia a esta regra. Havia apenas um liceu, em toda província, a ministrar o antigo 7º ano!
Esse último grau de ensino secundário dava acesso às poucas faculdades que o país tinha: Lisboa, Porto e Coimbra. Nos anos do Merdock, não seriam mais de cem, os alunos desse último ano do ensino secundário. Mesmo contando os poucos colégios que havia na Província e os moços ou moças que, por uma qualquer razão pontual, faziam o ensino liceal noutras cidades do país, o número de licenciados com que o Algarve contribuía para o total nacional, era reduzido. Mas, mesmo assim, fácil é perceber a grande importância do Liceu de Faro. Muitos desses ex-alunos, em breve iriam exercer cargos de revelo, professores, advogados, médicos, engenheiros, militares, potenciais políticos. 
Os acontecimentos que rodearam o Merdock, tiveram origem nesse estabelecimento de ensino e, por certo, de uma maneira ou de outra, terão despertado algumas consciências.

sexta-feira, 23 de março de 2007

OS NOMES E OS NÚMEROS (2)


À cabeça, o "Bomba", já anteriormente referido. E que dizer do José Viegas Felipe e do Campinas, que deram 25 tostões cada um (!!!!!....), para libertar o cão?
Depois, o Vidal, para todos efeitos, o principal protagonista da saga do Merdock. Foi ele quem salvou o cão dos temíveis homens do laço, no Café Aliança. E foi aí, que, certamente, toda a história começou.
Mais abaixo pode ler-se o nome completo do Zé Rijo, infelizmente já falecido. Personagem única, boémio, contestatário assumido a tudo quanto fosse Estado Novo, Mocidade Portuguesa, Igreja, restrições à liberdade, ao livre pensar e suas múltiplas expressões artísticas ou simplesmente básicas, populares.
Conviveu durante anos com outros eméritos boémios, em Lisboa, para onde fora estudar arquitectura. Dormiu à corda, foi preso por mais de uma vez, pelo regime, era conhecido nos bares por sair dum, para entrar noutro, sempre com um copo na mão! Foi amigo de peito do Luiz Pacheco, escritor, cronista, um dos mais insignes licenciosos e desbragados do seu tempo, autor dos "Textos Malditos" e de "O Libertino Passeia por Braga", editor de Sade, crítico literário.
O Zé Rijo - a mais de cinquenta anos de distância, penso isto, com convicção -, não andou só por andar na manifestação, exigindo a libertação do Merdock. Ele, leitor de Sartre, Camus e outros filósofos modernos, anti-militarista, defensor de todas as liberdades cívicas e políticas, sexuais e laicas, terá sido um dos que, conscientemente, aderiu à ideia, para enfrentar e denegrir a autoridade do estado.
Mais abaixo estão os nomes do Palaré e do Picanço, dois entusiastas do Merdock, desde a primeira hora.
Me desculpem os outros, que também tiveram o seu papel em toda a estória, e para quem, o fluir desses acontecimentos empolgantes, terá resultado nalguma influência nas suas posteriores tomadas de posição. Mas os citados sempre foram conhecidos de todos, nesse tempo do antigo Liceu, nos anos do cão mais célebre de Faro.
Merdock era um cão singular
e deu origem, em Faro,
a uma extraordinária
manifestação de solidariedade
que culminou na sua libertação.
Aqui se relembram
os factos e as personagens
envolvidas.
Veja também o meu blog de poesia