(clicar na imagem) ALGARVE ONTEM

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videopoema sobre o Algarve de Ontem e notas etnográficas sobre as actividades da época

O LADRAR DO MERDOCK

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Não se assustem com o ladrar do Merdock.
Ele só embirra com polícias, guardas fiscais,
guardas republicanos e outras fardas!...



quinta-feira, 8 de abril de 2010

1º ACTO



A verdadeira história do Merdock começou aqui. Neste Café de colunas em mármore, traça esbelta, clássica, como na Grécia Antiga.

Por esses anos passavam por aí ilustres figuras da cultura regional e nacional.

Era sem dúvida o Café mais importante da Província.

Também funcionava como uma espécie de bolsa de valores, onde os mais influentes comerciantes sedeados em S. Brás de Alportel Loulé e S. Bartolomeu de Messines, discutiam e decidiam os preços a pagar aos lavradores, pelos produtos algarvios mais típicos: o figo, a amêndoa e a alfarroba.

E, curiosamente (perdoem a abusiva analogia), também aí se decidiu a sorte do Merdock.

A sua história seria a mesma estória anónima, sombria e trágica de todos os seus pares caçados pelo laço implacável do Gaiana, encarcerados e abatido sem dó, se não viesse alguém a reclamá-los.

Seriam umas duas e meia da tarde.

A carroça dos cães andava por ali.

Todas as lojas ainda estavam fechadas, desde a hora do almoço.

Numa mesa, três alunos de capa e batina conversavam.

De repente, um deles levantou-se e foi na direcção da porta.

Um cão rafeiro, desesperado, tentava entrar, mas o criado (era assim que se dizia nesse tempo…) não o consentia, empurrando a porta giratória.

Então, o liceal, travou-se de razões com o empregado, despistando-o.

Aí, o cachorro aproveitou a suprema oportunidade, entrou pela porta dentro, atravessou num ápice todo o Café (abanando freneticamente a cauda quando passou pelos dois que estavam sentados), e escapou-se pelas traseiras.

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Merdock era um cão singular
e deu origem, em Faro,
a uma extraordinária
manifestação de solidariedade
que culminou na sua libertação.
Aqui se relembram
os factos e as personagens
envolvidas.
Veja também o meu blog de poesia