O LADRAR DO MERDOCK

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(em cima)


Não se assustem com o ladrar do Merdock.
Ele só embirra com polícias, guardas fiscais,
guardas republicanos e outras fardas!...



quinta-feira, 12 de novembro de 2009

AS TRÊS PRIMEIRAS-DAMAS ORIUNDAS DO ALGARVE

3 flores de amendoeira



CRÓNICA


Estudei na Escola Tomás Cabreira, em Faro nos anos 50, no tempo em que o Merdock andava no Liceu.
Sou natural da Fuzeta, sinto-me Algarvio de Gema e tenho muito gosto em referir que, na minha terra, foi brotada uma menina que, mais tarde como ilustre senhora, viria a inaugurar uma “série” de Primeiras-Damas de Portugal, onde se incluem três Marias originárias do Algarve, três “flores de amendoeira”.

Para os menos atentos, passo a referir a interessante sequência:

1ª Primeira-Dama 1986-1996, Drª Maria de Jesus Barroso, natural da Fuzeta (concelho de Olhão);
2ª Primeira-Dama 1996-2006, Drª Maria José Ritta, oriunda de Vila Real de S. António, estudou em Faro no Colégio do Alto, situado atrás do Liceu, quando o Merdock andava por lá.
3ª Primeira-Dama 2006, Drª Maria Alves Cavaco Silva, natural de S. Bartolomeu de Messines (concelho de Silves), terra do poeta e pedagogo João de Deus, que concebeu a “Cartilha Maternal”.

Quanto a nós Algarvios, simplesmente, três Marias que, por mérito próprio e de seus maridos, alcançaram um título muito prestigiado de altas dignitárias em Portugal.
Sinto orgulho neste facto mas, não esqueço de citar que, “para apoiar um Grande Homem, há sempre uma Grande Mulher”

(de preferência Algarvia, digo eu...)

Mário Tanganho

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Domingo, 25 de Fevereiro de 2007

DEPOIMENTO (2)

Sensibilizado pela abordagem que tem sido feita à Saga do Merdock, vou tentar, por este meio, contribuir com a minha avaliação da atitude do grupo estudantil do qual eu, então, fazia parte.
No ano lectivo de 1953/54, o ambiente no interior do Liceu de Faro era de clausura e de austeridade mas, no exterior o clima, a luminosidade do céu, a paisagem, as flores emanavam vitalidade e convidavam a viver alegremente.
Afinal, estávamos no Algarve onde a natureza envolvente e as pessoas irradiam essa reconhecida forma de estar.
Traduz-se num constante apelo à liberdade, ao qual os jovens sempre foram sensíveis, sem confundir com a irreverência ou a libertinagem que, infelizmente, hoje abunda por aí.
Curiosamente, no liceu e nessa época remota, entre outros saberes também ensinavam a marcar passo, o canto e o coral, o amor ao próximo e o respeito pelos valores de cidadania.
Penso que, para além do português e da filosofia, da física ou da matemática, os alunos e alunas do liceu acompanhados por outros jovens da cidade, que aderiram entusiasticamente ao cortejo que descia a avenida cidade adentro, naquele dia, utilizaram os saberes apropriados à libertação de um simples rafeiro que se revelara ser amigo dos estudantes.
Corajosamente marcharam pela avenida e demais ruas da cidade até ao município, cantaram e gritaram pela liberdade do amigo, revelaram amor por aquele que nunca lhes negou um abanar de cauda, conseguiram legitimar a existência de um ser vivo aprisionado.
Este foi o gesto assumido por muitos jovens, aplaudido por muitos cidadãos que também ansiavam por alguma liberdade e observado por outros que, sem ousar manifestar-se,temiam pela perda de estatuto ou de privilégios adquiridos.
A imprensa cuidou de relevar a atitude estudantil.
A autoridade estabelecida tentou perceber o que se estava a passar.
Na minha opinião, este terá sido um grito de alerta para a liberdade, em nome do Merdock, que concedeu naquele tempo aos estudantes mais regozijo do que, então, poderia ser imaginado pelos seus tutores.
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V. A.
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quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Uma casa em pedra

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

http://www.youtube.com/watch?v=YhWTIuqthR0

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

quinta-feira, 9 de julho de 2009

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“Moços e Moças do Algarve, estudantes nos Anos 50”
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Na sequência de outras crónicas, nomeadamente “As Três Flores de Amendoeira”, já publicadas, para a Galeria VIP, continuam a perfilar-se estórias deveras interessantes... Um dos estudantes elegíveis, foi aluno na Escola Comercial Tomás Cabreira.
Era um rapaz notoriamente sobredotado, oriundo de local próximo de Faro, que se deslocava diariamente para esta escola, onde se distinguia por ser diferente para melhor e por, nas aulas, prestar muita atenção aos ensinamentos ministrados.
Segundo diziam os liceais, estávamos, então, na época do Merdock, mais tarde apodada de Era.
Para quem não saiba, nesse tempo, ainda se falava no Reino do Algarve, sendo de referir que, desde há muito existiam cinco cidades, Faro incluída, quase todas relativamente próximas da orla marítima e, ainda, duas faixas orologicamente distintas vulgarmente denominadas como “barrocal” e “serra”. Daí vinham bastantes moças e moços interessados em melhorar o seu estatuto e cultura, abrindo novos horizontes para o seu futuro através da Escola ou do Liceu.
Alguns pelo seu valor e por mérito pessoal, granjearam lugar destacado na história do Algarve e até mesmo de Portugal.
Ainda se mencionava “o Reino”, porque no decreto que em 1910 proclamou e deu a conhecer a implantação da República, não foi referido o Algarve, mas também porque a moeda régia, até então cunhada, exibia explicitamente Rei de Portugal e dos Algarves (conceito que incluía esta região de beleza cativante e mais uns territórios conquistados à moirama).
Quanto ao rapaz, constava nesse tempo na Tomás Cabreira que, com aquele nível intelectual, postura jovial de lutador imparável e excelente aproveitamento nas aulas ministradas, quando fosse grande, poderia vir a ser Professor ou até Ministro e tornar-se por, mérito próprio, elegível a Presidente do Conselho de Ministros (designação usada nos anos 50) ou alcandorar-se a estatuto ainda mais prestigiante. E, este colega, quando elogiado, sorria com um ar enigmático mas intensamente premonitório.
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sexta-feira, 8 de maio de 2009

DEPOIMENTO (2)

Sensibilizado pela abordagem que tem sido feita à Saga do Merdock, vou tentar, por este meio, contribuir com a minha avaliação da atitude do grupo estudantil do qual eu, então, fazia parte.
No ano lectivo de 1953/54, o ambiente no interior do Liceu de Faro era de clausura e de austeridade mas, no exterior o clima, a luminosidade do céu, a paisagem, as flores emanavam vitalidade e convidavam a viver alegremente.
Afinal, estávamos no Algarve onde a natureza envolvente e as pessoas irradiam essa reconhecida forma de estar.
Traduz-se num constante apelo à liberdade, ao qual os jovens sempre foram sensíveis, sem confundir com a irreverência ou a libertinagem que, infelizmente, hoje abunda por aí.
Curiosamente, no liceu e nessa época remota, entre outros saberes também ensinavam a marcar passo, o canto e o coral, o amor ao próximo e o respeito pelos valores de cidadania.
Penso que, para além do português e da filosofia, da física ou da matemática, os alunos e alunas do liceu acompanhados por outros jovens da cidade, que aderiram entusiasticamente ao cortejo que descia a avenida cidade adentro, naquele dia, utilizaram os saberes apropriados à libertação de um simples rafeiro que se revelara ser amigo dos estudantes.
Corajosamente marcharam pela avenida e demais ruas da cidade até ao município, cantaram e gritaram pela liberdade do amigo, revelaram amor por aquele que nunca lhes negou um abanar de cauda, conseguiram legitimar a existência de um ser vivo aprisionado.
Este foi o gesto assumido por muitos jovens, aplaudido por muitos cidadãos que também ansiavam por alguma liberdade e observado por outros que, sem ousar manifestar-se,temiam pela perda de estatuto ou de privilégios adquiridos.
A imprensa cuidou de relevar a atitude estudantil.
A autoridade estabelecida tentou perceber o que se estava a passar.
Na minha opinião, este terá sido um grito de alerta para a liberdade, em nome do Merdock, que concedeu naquele tempo aos estudantes mais regozijo do que, então, poderia ser imaginado pelos seus tutores.
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terça-feira, 28 de abril de 2009

O PÓS MERDOCK

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AS INFLUÊNCIAS DO MERDOCK

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Ressalvando qualquer comparação abusiva, é curioso notar que, como disse publicamente o Professor da Universidade do Algarve, Vilhena Mesquita, a manifestação em favor do Merdock
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foi a primeira não autorizada e não reprimida pela Polícia”.
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Talvez por ser a primeira, não foi reprimida - digo eu.
Estávamos em 1954, em Faro.
Na verdade, algum tempo depois dessa inesquecível manifestação exigindo LIBERDADE para o Merdock (uma palavra proibida de pronunciar e muito menos de ostentar em cartazes), o ditador da nação escrevia o seguinte:

Nos últimos tempos, a polícia tem manifestado a sua grande preocupação acerca da captação muito intensa de estudantes para as organizações comunistas. Rapazes e raparigas das melhores famílias, tanto de bens como de formação moral, aparecem enredados nessas organizações”.
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......Carta de Salazar a Craveiro Lopes em 20 de Dezembro de 1955.
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As Associações de Estudantes, desse tempo (e convém aqui salvaguardar que elas eram do âmbito das Universidades, não dos Liceus), começaram a preocupar-se com os problemas sociais e económicos, a assistência médica, o alojamento e o futuro emprego, dos estudantes.
Os movimentos MUD juvenil, JUC, JUCF e CADC, preocupavam-se também com a cultura e promoviam o chamado "Turismo Universitário" que levava os estudantes ao estrangeiro, abrindo-os assim, para realidades inexistentes em Portugal. De tudo isto resultou "A crise estudantil de 56/57" e, na sequência "A crise de 1962". E (convém lembrar), muitos daqueles que em Faro apoiaram o Merdock, eram estudantes universitários, em 56/57.
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Os pressupostos que levaram a essa crise de 1962, eram basicamente os mesmos que presidiam às reivindicações em Bekerley, nos Estados unidos, em 1961 e que acabaram por transformar-se num poderoso e imparável movimento cívico que conduziu à retirada e à derrota desse país, na guerra do Vietnam. O Maio de 68, como se sabe, também começou por ser um movimento de contestação de estudantes de Paris.

terça-feira, 14 de abril de 2009

O LIVRO

ÚLTIMOS PARÁGRAFOS DO LIVRO MERDOCK (3ªedição)
..
(...) A harmonia da generosidade desprovida, é intemporal, mas terrena. Sofrida, feita de paixão, humana.
Porventura, um dia, haverá outros cães a ostentar garbosamente o seu nome, o seu símbolo de liberdade.
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-*

No dia seguinte, tudo voltaria à rasteira normalidade, à paz podre desses dias. Ou assim parecia. O amanhã não será jamais igual ao tacanho e melancólico dia de ontem, se for essa a vontade de todos, ou duns poucos, que seja.
Só muito mais tarde, bem depois dos apaixonados acontecimentos de que aqui deixo um modesto relato, o Merdock entraria no reino do mito e suscitaria a memória do tempo.
E é por isso que a sua história - a sua gesta, propriamente dita -, a partir daqui, deixa de ter significado ou interesse, para aqueles que não o conheceram, de perto.
Os seus ossos não repousam em parte alguma, como não repousam em parte alguma os restos de todos os outros cães anónimos, animais menores de todos os tempos, como os homens e mulheres de todas as idades e gerações, que morreram para sempre, sem deixar rasto.
O final da história só diz respeito àqueles (poucos) que verdadeiramente foram seus amigos.
Não a vou contar, porque só a esses interessa o que aconteceu depois. E só esses ainda hoje relembram e recordam estes episódios, com a saudade que se tem daqueles por quem se teve afeição, ou de quem se gostou, na vida...

domingo, 5 de abril de 2009





















Pela módica quantia de 2 escudos, o Merdock adquiriu a chapa de matrícula, para para ser colocada na coleira e poder circular, no país. Menos que um maço de tabaco que, creio, custava 29 tostões!
Merdock era um cão singular
e deu origem, em Faro,
a uma extraordinária
manifestação de solidariedade
que culminou na sua libertação.
Aqui se relembram
os factos e as personagens
envolvidas.
Veja também o meu blog de poesia