O LADRAR DO MERDOCK

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Não se assustem com o ladrar do Merdock.
Ele só embirra com polícias, guardas fiscais,
guardas republicanos e outras fardas!...



sábado, 28 de janeiro de 2012

O CÃO MERDOCK

O porquê do nome Merdock
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In illo tempore (decorridos que são quase 60 anos) mais concretamente, no início do ano lectivo de 52/53, começou a aparecer nas imediações do, então, Liceu Nacional de Faro, um simpático cachorro que, sem dono nem nome, se afeiçoou aos alunos do liceu recebendo festas e algumas migalhas que sobravam do seu parco lanche. Cedo se tornou companheiro inseparável dos estudantes e, talvez, tentanto escapar à vulgarmente chamada “vida de cão” terá tido a sagacidade de entender que, por ali, tinha melhor trato e outros afectos nunca recebidos na sua vida anterior.
Assim, aderiu ao quotidiano da vida académica, entendendo o horário escolar como sendo o seu momento de descanso e acompanhando os estudantes, em permanência e de forma indefectível, no período extra-escolar, onde se incluíam as férias.
Daí ter recebido, ao nível estudantil, o seu primeiro nome de Adesivo, por se ter tornado inseparável dos alunos do liceu. Tudo isto por mérito e para proveito seu.
Mas, nessa data, a saga do cachorro ainda não tinha, verdadeiramente, começado.
Veio a ser magistralmente descrita por Vieira Calado, na sua obra literária, titulada “Merdock, um cão em Faro, anos 50”, já em 3ª edição, e em inúmeros contributos de insignes colaboradores do site “o cão Merdock”.
Poucos recordarão qual o propósito de ter sido rebaptizado. Para o efeito reuniu-se o Senáculo, constituído pelos estudantes que poderiam ter voto nesta matéria.
A escolha deveria recair sobre um nome pouco vulgar, referenciável, sonante, sendo forte, distinto e de fácil memorização. Com atributos destes, nunca seria um frágil Boby de trazer por casa, nem, de outro modo, o seu nome ou a história da sua saga, perduraria por mais de meio século, na memória dos seus contemporâneos.
A sua cor, de um amarelo escuro, lembrava algo sujo, do tipo merdoso (apesar do nome ‘merda, æ’ ter origem no latim erudito e, neste caso, não ser pejorativo). No entanto era um cão elegante e, reconhecidamente, amigo dos seus amigos.
Mas, porque os estudantes se inseriam numa área cultural e de discência, por que não repescar o ‘doc’ do étimo. A liberdade criativa era enorme e não era cerceada.
Pois que “docendo discitur” e só faltando excitar a curiosidade dos mais atrevidos, foi ainda acrescentado um intrigante ‘k’, contrário às vulgares regras da ortografia oficial.
E, do Senáculo, por deliberação unânime saiu o nome, que perdura: MERDOCK..
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Merdock era um cão singular
e deu origem, em Faro,
a uma extraordinária
manifestação de solidariedade
que culminou na sua libertação.
Aqui se relembram
os factos e as personagens
envolvidas.
Veja também o meu blog de poesia