O LADRAR DO MERDOCK

Clicar na imagem de Algarve Ontem
(em cima)


Não se assustem com o ladrar do Merdock.
Ele só embirra com polícias, guardas fiscais,
guardas republicanos e outras fardas!...



segunda-feira, 11 de julho de 2011

Poetas de Faro

Personagens da Época

O "Marmelada"
-
Em Faro, nos tempos do Merdock, havia um poeta consagrado: Cândido Guerreiro, muito reconhecido, na época.
E um outro, que havia de ser um dos maiores da Poesia Portuguesa, ainda a ensaiar os primeiros passos:
António Ramos Rosa.
Cândido Guerreiro era natural de Alte, mas estudou no Liceu de Faro e faleceu nesta cidade, em 1953, o ano que marcou o princípio da estória do Merdock. Morava perto do Liceu e frequentemente trocava impressões com alunos.
Ramos Rosa nasceu em Faro e só veio a publicar o seu primeiro livro de poemas "O Grito Claro", em 1958.
Depois havia outros, mais ou menos obscuros, ou menores. Ou os emergentes, que, mais tarde, teriam o seu lugar na Grande Poesia.
E também não posso deixar de relembrar esse grande repentista, o Aleixo, falecido anos antes, mas que perdurava na memória, pois passava frequentemente por Faro, na sua rota de andarilho a vender cautelas.
E um sujeito chamado Marques da Silva, conhecido pelo Marmelada, que fazia versos à moda antiga e se apresentava sempre elegantemente vestido, bem penteado, cheio de brilhantina no cabelo… e uma rosa na lapela!

segunda-feira, 4 de julho de 2011

MERDOCK, VELHOS TEMPOS

.
Às vezes ponho-me em sossego a recordar e penso atrás, próximo de cinquenta e tais anos de distância. Circulando pela memória de repente salto e venço o tempo, regressando às coisas bonitas na infância feitas e que, distraídos, não demos importância naquele tempo de medo surdo-mudo, oculto e tenso, imposto ao povo que o carregava na alma a toque de caixa, e jovens gritavam "liberdade pró Merdock".
Era um cão desmazelado, pelo amarelo sujo, vadio, pele-e-osso, meio-grande, orelhas partidas, rafeiro perdido na cidade, que apareceu muitos dias a fio à porta do liceu, e muitos estudantes, primeiro brincam com ele aos poucos, depois a tempo inteiro cada vez mais amigos, com sobras matam o fastio do cão, e por fim não deixam que alguém o enxote ou maltrate, tornando-se por adopção sua mascote. Naquele tempo não havia liga de defesa de qualquer bicho, mas havia a carroça dos cães e homens de cotim, com laços compridos, para caçar os sem dono que andavam no lixo. E um dia, caçaram o Merdock e lavaran-no para os paços do canil, contra os estudantes, que logo reuniram os escassos dinheiros para pagar a multa, e cheios de brio e capricho, dirigiram-se ao canil municipal, em jeito de manifestação pelas ruas principais da cidade, para libertar Merdock, o cão.
O caso foi falado por toda a cidade e no liceu, penso, onde mandavam os homens do regime, os reitores cara de ferro, tendo à frente o zeloso e sisudo Ascenso, vigilante dos profes duvidosos, possíveis opositores.
As opiniões dividiram-se na sala dos professores, pois julgava-se que não seria preciso haver consenso, acerca da iniciativa estudantil de tão prosaica medida, mas a gente da situação viu no caso, coisa escondida.
E tanto assim foi que, passado um mês e poucos dias o Merdock, apanhado de novo, foi enviado pró canil em clara demonstração de poder e força, às rebeldias dos estudantes que, perante a evidente atitude hostil, voltaram a desfilar em manif, (desobediência civil), com cartazes e bandeiras pretas (autênticas heresias políticas). Chamados perante as pequenas majestades locais, ficaram sob nacional ameaça de pidescas grades.
.
José Neves, em Gorgeios

terça-feira, 28 de junho de 2011

GILLETTE

Nos tempos do Merdock, ainda não tinham chegado a Portugal
as máquinas elétricas de fazer a barba.
Os barbeiros usavam a navalha.
Em casa, apenas alguns dos puritas a utilizavam. 
O que reinava era a lâmina de barbear,
que mantinha as nossas caras
como as meninas apreciavam: 
suaves como pétalas de rosa!

quarta-feira, 22 de junho de 2011

sexta-feira, 17 de junho de 2011

O FAMIGERADO PAPEL SELADO

 ,
Nos tempos do Merdock e nos que seguiram, ainda vigorava o famigerado "papel selado". Todos os documentos oficiais ou afins, que o pobre do cidadão tinha de fazer, fosse para o que fosse, tinham de ser escritos nesta aberração.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

ANTIGOS PROFESSORES

Alguém sabe que eram estes "cromos"?

quarta-feira, 25 de maio de 2011

CONVITE AOS ANTIGOS ALUNOS DO LICEU, ANOS 50

clicar para melhor ler

quinta-feira, 19 de maio de 2011

RELEMBRANDO O MERDOCK

 .
Passa o tempo e, de vez em quando, o Merdock é relembrado, ou revivido por gerações jovens.
Foi o que aconteceu recentemente no Pátio das Letras, em Faro.
Numa louvável iniciativa, um grupo de alunas do antigo Liceu Nacional de Faro, apresentou um seu trabalho de grupo, em público, nessa livraria. Tratava-se de trazer à memória estórias curiosas doutros tempos, contribuindo assim para a História do Liceu (e, de certo modo, da cidade), tendo como pano de fundo a prestigiada instituição académica.
Vários antigos alunos foram convidados a dissertar sobre factos marcantes desde a inauguração do Liceu e, naturalmente, não podia faltar a saga do Merdock que, aliás, foi a que mais prendeu a atenção do numeroso público presente.

sábado, 16 de abril de 2011

Aventuras de “BIFES”
Quando andava no Liceu, a partir do 3º ano, 1954, comecei a fazer parte de um grupo. Éramos bastantes, só moças, os moços andavam atrás… Havia elementos fixos e rotativos, que apareciam e desapareciam, consoante os interesses. Tínhamos um distintivo, um chapéu encarnado, com fio amarelo a servir de laço, feito pela Haide, que usávamos ao peito, preso à bata por um alfinete, a disfarçar a fita, indicativa do ano que frequentávamos, por imposição do reitor. Inicialmente, tínhamos usado um barrete de campino, verde com barra vermelha, também executado por ela, com uma agulha de crochet. Quando saíamos, levávamos o nosso distintivo, mas para podermos usufruir dessa regalia, tínhamos de ter a concordância familiar, que era difícil, porque era imperioso, criar motivos convincentes. Com a desculpa do herbário, para a aula de Ciências, governei-me, um ano inteiro, com saídas autorizadas. Combinado o ponto de encontro e a hora, reuníamo-nos e partíamos à descoberta do mundo. Não sei como acontecia, mas normalmente, surgia sempre um grupo de rapazes a animar a liberdade. Raramente nos juntávamos, limitávamo-nos a risinhos, gargalhadas, corridas, olhares, segredinhos…Os locais escolhidos, para conforto da alma, variavam entre a Alameda, Santo António do Alto, Jardim, Rua de Stº António, zonas que não implicavam despesas, pois a “malta” tinha sempre os bolsos, vazios de moedas. As saídas mais significativas e que mais problemas nos trouxeram, a nível de repreensão familiar, pelo atraso da chegada a casa, foram as realizadas no 1 de Maio, dia da espiga, Carnaval, feiras, jogos de basquetebol ou voleibol de equipas masculinas. Anualmente, aconteciam, no estádio de S. Luís, encontros amigáveis de futebol, entre os professores do Liceu e os da Escola Comercial e Industrial. Eram os “bifes” (liceu), contra as “costeletas” (escola). Ninguém faltava e todos gritávamos a plenos pulmões, a dar ânimo ao professor preferido, ou a arrasar os mais “barrigudos”, que não conseguiam tocar na bola. O jogo terminava sempre com um empate, nós saíamos satisfeitas, pois sem qualquer tipo de represálias, havíamos desabafado todas as repressões exercidas, durante o tempo de aulas, no espaço liceal controlado e vigiado. Não esquecerei a satisfação que sentia, ao enxergar, despidos de roupa e de pose, os professores, que via e aturava, diariamente, na sala de aula, todos encasacados, de gravata e sapato luzente. Lá estavam os Senhores Professores Luís Afonso, Nascimento, Gonçalves, Aleixo da Cunha, Leitão, Magalhães, Fortes, Modesto, Hermínio de Oliveira, Barros, Almodôvar, Dores, Luís Inocentes, mais… A esse encontro futebolístico, com o fim de apoiar a Casa dos Rapazes, ninguém faltava e lá estava eu, Haide, Rute, manas Labisas, Odete e Rosália, Lisete Bailote, Noélia, Conceição, Delmira, Odete Antão, Adelaide, Nédia, Ana Calvinho, Isa e Ana Maria Soares….
Outro elemento que não perdia estes encontros, era o “MERDOCK”.
Belos Tempos!!!!!!!!!!!!!
.
Lina Vedes

quinta-feira, 7 de abril de 2011

MOCIDADE PORTUGUESA








O organização estatal de carácter militarista (à imagem da Juventude Hitleriana), que pretendia guiar os comportamentos dos moços e das moças dos tempos do Merdock, era a Mocidade Portuguesa.

Os moços eram conhecidos, pelos críticos do Regime Salazarista, como "piolhos verdes".

E as moças? 

Alguém sabe?

Merdock era um cão singular
e deu origem, em Faro,
a uma extraordinária
manifestação de solidariedade
que culminou na sua libertação.
Aqui se relembram
os factos e as personagens
envolvidas.
Veja também o meu blog de poesia